Sunday, 29 de August de 2004

Nos vemos na China!

Acabou a brincadeira. Os Jogos Olímpicos de Atenas terminaram neste domingo. E se nos anos 80 a polarização entre EUA e URSS ditavam o ritmo das medalhas, em 2004 a coisa foi mais distribuída. Mais do que isso, o mundo conheceu uma nova potência esportiva: a China.

Em 1988, os chineses terminaram os Jogos de Seul na 11ª posição. Já em Barcelona e Atlanta, terminaram em quarto. Em Sydney, figuraram na terceira posição. Agora, ficaram atrás apenas dos EUA - ficaram atrás por apenas três medalhas de ouro. Na Grécia, os chineses surpreenderam o mundo, conquistando vitórias incríveis em modalidades com pouca tradição - natação, atletismo, natação e tênis, por exemplo.

Sem coincidência alguma: o crescimento chinês no quadro de medalhas acompanhou a evolução econômica do país, que cresce 10% ao ano. Dá para o Comitê Olímpico Chinês distribuir cerca de US$ 200 milhões por ano - metade desse valor vem do governo, que vai deixando de lado suas raízes socialistas a passos largos.

Com a festa de encerramento, os chineses tornaram-se oficialmente os protagonistas da próxima festa, marcada para 2008, em Pequim. Claro que os asiáticos pretendem fazer um evento tão inesquecível quanto o de Atenas. Mas a missão da China para os próximos Jogos é ainda mais ambiciosa: superar o mundo no quadro de medalhas.

Quem viver, verá. Veremos, então, daqui a quatro anos. Alguém me acompanha?

Eh, Brasil! - Antes de falar nas medalhas, não custa lembrar dos últimos grandes momentos em que o país gritou Eh, Brasil: diante da apática seleção feminina, que desmanchou após jogar no lixo sete bolas que poderiam lhe dar uma vaga na final, e o decepcionante revezamento 4 x 100, pódio nos dois últimos jogos e último colocado em Atenas. Aliás, parece que Rei Medas esteve na Grécia no último sábado

Eh, Brasil 2! - Foram duas semanas tranquilas, sem problemas relacionados a segurança - desmentindo toda a paranóia terrorista concebida antes dos Jogos. Pois o único atentado em Atenas foi sofrido por um brasileiro! Absurdo! Felizmente, Vanderlei Cordeiro de Lima, um dos melhores fundistas do país, driblou o maluco e correu para o bronze - com gostinho de ouro! Aliás, a história vai registrar o corredor que conquistou medalha mesmo após ser agredido por um irlandês tantã. Poucos vão lembrar quem ganhou!

Eh, Brasil às avessas! - Enfim, conqustamos quatro medalhas de ouro, recorde absoluto, graças ao vôlei masculino. Pena que, entre todas as modalidades que competimos, as mesmas de sempre foram as responsáveis por medalhas… Como diria o velho Eymael em sua campanha eleitoral, “chegou a hora da renovação!”.

Tá cum dô - Entre os esportes “inesperdos”, quem chegou mais perto de uma surpresa foi o taekwondo, com dois quartos lugares (um deles da minha nova musa, Natália Falavigna). O outro “quase-bronze” veio com Diogo Silva, que falou tudo após sua participação: “Por mais que a gente batalhe, nosso sacrifício não é recompensado. Foi meu protesto para que o Brasil veja a dificuldade que o esporte amador enfrenta. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários. Infelizmente, o Brasil é movido a medalhas. Quem briga por resultado é por amor ao esporte, por ter orgulho. Quem busca retorno financeiro, fica frustrado Acho que tudo vai continuar igual”.

As Olimpíadas acabaram, mas até o final da semana, o assunto continua por aqui. De qualquer forma, voltamos com a nossa programação normal!

Marmota colocou este post no ar às 21h21

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