Wednesday, 29 de June de 2005


Quarteto fantástico quase assiste a derrota do Brasil para a Argentina, pelas Eliminatórias, no último dia oito de junho: André Marmota, Pedro Cirne, Lello Lopes e Adilson Fuzo optaram por muita conversa e porções de picanha.

Muitos podem discutir a afirmação de que brasileiros e argentinos protagonizam o maior clássico do futebol mundial - até porque, seria insano desconsiderar outras seleções tradicionais. Mas se levarmos em conta a soberania futebolística no continente ou as onze finais de Copa do Mundo com a presença de pelo menos um deles, já temos subsídio de sobra para concordar com a idéia.

Mas um fator estritamente emocional corrobora a tese de que, se houver uma guerra capaz de provocar imenso estrago, será como um jogo entre Brasil e Argentina - seja qual for a modalidade. O atrito fica ainda mais evidente em uma decisão, a primeira entre as duas seleções em um torneio organizado pela Fifa. O maior reflexo desta rivalidade aparece estampado frequentemente na capa do Diário Olé, jornal esportivo argentino. O maior exemplo apareceu na semifinal olímpica de 1996, quando Brasil e Nigéria decidiram o adversário argentino na final: “que vengan los macacos”.

Na manchete desta terça-feira, uma frase típica de qualquer confronto: “que vença o melhor”, apresentando o duelo entre o time de Parreira, de olho na revanche após a derrota por 3 a 1 em Buenos Aires, pelas Eliminatórias, e os comandados de José Pekerman, que esperam mostrar aos alemães e ao mundo que aquilo não foi um acidente doméstico. Para se certificarem que o título da Copa das Confederações é possível, apelam até para o vudu: um boneco espetado, com a cara do Rei Pelé.

Além de significar o primeiro título do time principal da Argentina após doze anos, a decisão desta quarta-feira servirá como um desempate para o total equilíbrio do confronto em sua história: foram 88 jogos, com 33 vitórias para cada lado e 22 empates. Nervos à flor da pele e muita catimba desde a primeira final, em 1914: a Copa Roca, vencida pelos brasileiros. Foi diante dos arqui-rivais, nesta mesma competição, que Pelé fez sua estréia pela seleção. O jovem de 16 anos fez o gol de honra da seleção, na derrota por 2 a 1.

Somente após 54 jogos, brasileiros e argentinos se encontraram em copas do mundo. E virou rotina: quatro vezes, sendo três seguidas. Em 1974, pela segunda fase da Copa da Alemanha, a equipe de Zagallo venceu por 2 a 1, com gols de Rivellino e Jairzinho, eliminando os hermanos. Quatro anos depois, a “Batalha de Rosário” e o empate sem gols dos campeões morais contra os donos da casa. Na Espanha, o esquadrão de Júnior, Falcão, Sócrates, Zico e cia. não tomou conhecimento dos campeões mundiais e fez 3 a 1.

Mas o confronto que ninguém esquece foi nas oitavas-de-final da Copa da Itália, em 1990. A equipe de Sebastião Lazaroni, viu o passe preciso de Maradona para Caniggia. O atacante desviou a bola de Taffarel e mandou os brasileiros mais cedo para casa. Um duelo revisitado 15 anos depois, graças a história da “água batizada” que teria deixado o lateral Branco meio tonto. Meses após a história ganhar a imprensa argentina graças às risadas de Don Diego, um programa de humor aproveitou o último encontro, em Buenos Aires, para fazer uma brincadeira: oferecer água com cuspe ao time de Parreira.

Brasil e Argentina se enfrentaram outras 30 vezes na Copa América. Como em 1983, quando os vizinhos fizeram até desfile na tradicional 9 de Julho após vencerem por 1 a 0, marcando o fim de um jejum de 13 anos sem vencer o rival. Ou na última delas, em julho do ano passado, quando o time B de Parreira entrou para a história em uma grande conquista - com direito a empate dramático de Adriano e disputa nos pênaltis. Também merece registro mais um encontro com Maradona, em 1989, pelas semifinais do torneio. Bebeto e Romário levaram a seleção para a final - e ao título, que não acontecia há 40 anos.

Em mais de 90 anos de história, todo torcedor lembra de mais algum momento inesquecível entre as seleções. Seja pelas eliminatórias, como nas últimas vitórias em casa com show de Vampeta em 2000 e Ronaldo em 2004, ou em duelos amistosos, como na comemoração do 7 de setembro em 1999: os gaúchos viram a seleção de Luxemburgo, que vinha de derrota por 2 a 0 no Monumental de Nuñes, derrubar o arqui-rival por 4 a 2 no Beira-Rio, com atuação inspirada de Rivaldo. (Copiado descaradamente daqui).

E qual o seu Brasil x Argentina inesquecível?

Atualizado: Acredito que a goleada na final desta quarta-feira vai entrar no rol das vitórias inesquecíveis sobre os hermanos.

Foto: Reuters

Apesar do show e do desempenho incontestável, não mudei de opinião.

Marmota colocou este post no ar às 15h34

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