Sunday, 8 de January de 2006
Vai ser gauche na vida!
Mais do que simplesmente trazer a definição de “gauche” de maneira clara, a Fabi foi além: praticamente escreveu uma resolução de ano novo para quem não tem uma.
Uma das piores sensações que existem é a constatação de que você não sabe patavina sobre determinado assunto. É quando os PIMBAs (Pseudo Intelectuais Metidos a Besta e Associados) entram em ação, falando de coisas que você nem sabia que existia só pra te impressionar ou expor ao ridículo, mas que quando você pesquisa pra não se passar por burra, descobre que já sabia o que era, mas com outro nome, ou que saber ou não saber não faz a menor diferença para sua formação pessoal: é b*sta nenhuma, na realidade.
Se for pensar, isso é uma dificuldade de adaptação. Nada mais que o instinto animal que permanece na espécie humana, quando o que importa é fazer com que os outros membros do grupo pensem que você é superior, não fazendo diferença a quantidade de besteira que sai da sua boca. Quem não segue o chefe, ou não se torna chefe, é jogado pra escanteio. O Drummond tinha um nome para quem não se adaptava, e ele mesmo se intitulava assim: gauche.
Gauche, segundo o Michaelis Francês-Português da minha irmã, significa desajeitado, à esquerda. E, segundo meus livros didáticos do terceirão, gauche é aquele que está no impasse entre o que o mundo dita e ele mesmo. Nenhum anjo torto me disse isso quando eu nasci, mas tenho a impressão de que sou gauche.
Não sei porque cargas d’água isso incomoda tanto. A gente vive reclamando das superficialidades, das burocracias, das máscaras e de tantos outros comportamentos bestas das pessoas, e quando acontece de a gente não se adequar, reclama. Vi uma crônica do Veríssimo (o filho) na Gazeta do Povo que dizia que todo mundo devia ter um argentino na família, por que era o único povo que não se entregava assim, fácil, que vivia a vida pisando cautelosamente, como se dançasse um tango. E terminava com um gran-finale: se, numa roda de pessoas, todo mundo tiver um celular desses que toca música, tira foto, filma, envia e-mail e etc, era pra tirar um pente do bolso e dizer “ah, mas ele faz isso?”, e começar a pentear os cabelos. Acho que era mais ou menos isso.
É isso aí, não se entregar é o caminho. Ser gauche e ser a excessão à regra. Pode até ser chato às vezes, mas pra quê se prender á rótulos e classificações, e agir de tal modo a ser considerado cult, brega, dark, pop, ou até mesmo eclético? Pra quê, alguém me diga, pra quê ficar se preocupando se uma pessoa não é como você, se o grande barato das culturas é a diversidade, não importando se você é bárbaro ou romano?
Porque no fundo, no fundo mesmo, a gente é tudo gente, mesquinha e bocózona, cheia de valores idiotas.
Muitos comentários: 5 »
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Uia! nem vi que eu tava aqui!!! Valeu a citação, estou realizada!!!
Comentado por Faby — Wednesday, 11 de January de 2006 às 10h22
Não tinha visto ainda porque aqui no serviço bloquearam os blogs, e só é liberado na hora do almoço :p
Comentado por Faby — Wednesday, 11 de January de 2006 às 10h27
Nada gauche sua postagem, gostei.
Experimente a sensação de ouvir “Beatnik” na mesa de bar e ter que perguntar o que é.
=)
Comentado por Cris — Monday, 12 de March de 2007 às 20h43
Opa,
aconselho procurar uma música do João Bosco e Francisco Bosco chamada De Mamadeira, que tem um belo verso com gauche e acredito que a as interpretações se confirmam. Valeu!
Bjs, Magrão!
Comentado por Magrão — Friday, 6 de July de 2007 às 14h45
Só vim aki pra dizer que seu texto conseguiu traduzir de forma excepcinal o verdadeiro sentido de ser gauche na vida…
adorei!!
Comentado por Clara — Sunday, 27 de July de 2008 às 17h50