Sunday, 31 de December de 2006

Dois mil e seis já vai tarde. Peguei trânsito na estrada nos primeiros dias do ano. Tomei caldo de cana e comi frango frito, apesar do bicho barbeiro e da gripe asiática. Descobri quem eram os Rebeldes graças a uma muvuca descontrolada num estacionamento do Extra. Não fui (e me arrependo muito disso) ao show dos Rolling Stones em Copacabana. Consegui, a muito custo e aos 48 do segundo tempo, ir ao show do Iuthú. E ninguém mais lembra da Katilce. Passei o Carnaval em Pelotas, para compensar a virada do ano em São Paulo. Acabou a AOL Brasil e condenaram a Suzane Von Hitchcock e o Pimenta Neves. Fiquei indignado com a dancinha da Angela Guadagnin. Vi com ressalvas a existência de um astronauta brasileiro e dei risada quando disseram que foi só ele viajar para Plutão ser rebaixado. Não vi Central da Periferia nem Falcão Meninos do Tráfico. Cantei “a é í Hopi Hari vai falir”, mas apesar do péssimo dia, vou voltar lá em breve. Fiquei cinco dias em Brasília para assistir a um seminário e deixar minha cabeça mais sossegada. Soube da maior mentira da minha vida no dia primeiro de abril. No dia que era para ser feliz, no casamento da minha amiga, passei mal. Telê foi embora no mesmo dia que Tiradentes e Tancredo. Carequinha também foi, assim como a barba do Doutor Enéas. Palocci, que fazia encontrinhos batutas no Lago Sul, quebrou o sigilo do caseiro e se quebrou também, antes de ser eleito deputado com Clodovil, Maluf e Frank Aguiar. Colecionei as figurinhas da Copa e, ao contrário de 2002, completei meu álbum! Torci pela greve de fome do Garotinho - pena que ele desistiu. São Paulo descobriu o PCC e clamou por Chuck Norris, cujas lágrimas curam o câncer. Infelizmente ele não chora. Nunca. Questionei “por que o Bussunda, e não o Marcola”, bem piores que Lilia “Marta” Cabral e Fernanda “Bia Falcão” Montenegro. Não suportei mais ouvir “Sempre que quiser um beeeeeijo… Eu vou te daaaaar”, na voz da mulher do diretor da novela. Fiquei sem um Bobueno, mas comprei uma camisa verde do Brasil, só que a esperança acabou na preparação festiva de Weggis, culminando na meia do Roberto Carlos. O resultado disso eu já sabia: “ay caramba, que pesadelo”, como bem disse Maradona após tomar guaraná Antárctica e cantar o hino nacional brasileiro. Mas agora é Dunga, e a África do Sul é logo ali… É difícil perder sabendo que… A gente não pode esquecer… É difícil esquecer… Tempo… Vamos ter para esquecer… Sem dúvida… É hora da gente reformar ou… É hora da gente reformar ou… Ou mudar de vez… Vamos colocar o castelo de areia abaixo… Caravaggio, Zambrota… Aaaahh, Itááália! Aliás, vi a Copa, a cabeçada do Zidane, o vídeo do Vanucci, da Cicarelli, do bambu, do tapa na pantera, das árvores somos nozes e praticamente tudo que a TV deveria mostrar a partir do You Tube, o fenômeno de um virgula sessenta e cinco bilhões de doletas. Os blogs foram descobertos pelas corporações e pela Revista Época, então explodiu o jornalismo colaborativo, o second life e a web 2.0, deixando a vida um pouco melhor e com mais algumas possibilidades. Como ter ido à Festa do Copo Vermelho. Tentei entrar na casa do Quintana numa segunda de agosto, mas estava fechada. Também tentei entrar no Beira-Rio dois dias depois, mas acabei comemorando o título da Libertadores na Cidade Baixa. Revi Buenos Aires e conheci Montevidéu, apesar de não ter ninguém para ouvir minhas piadas fracas em espanhol. Comemorei os 90 anos da minha vó ao lado dela. Fui passear no Museu da Língua Portuguesa no mesmo dia que as meninas do basquete naufragaram no Ibirapuera. Fugi para Pelotas no primeiro turno, mas disse não ao banana e gritei “é lula de novo com a força do polvo”. E se pudesse, votaria no Cururu ou na Manuela. Troca injusta no senado: Heloísa Helena por Fernando Collor. A Varig quase faliu, mas voltou a voar normalmente. Se bem que, depois do vôo 1907, ninguém mais voou normalmente nesse país. E disse Paulo Sant’Anna: “a probabilidade de Germano Rigotto não ir para o segundo turno era a mesma de dois aviões colidirem no céu da Amazônia”. Passei um mês inteiro criando um DVD para tirar os maus pensamentos da mente. Depois de duas horas ao telefone, consegui cancelar meu cartão de crédito. Vimos um GP Brasil emocionante, com adeus a Schumacher, título de Alonso e vitória de Massa e seu macacão verde-amarelo. Fiquei com pena do Carlos Alberto (o do Figueirense), que alterou a idade pensando na família. Fui dormir rapidinho depois de ver Jacky Petkovic repetindo um celular de Curitiba noites a fio. Um senador inventou de identificar usuários de Internet, enquanto o Google quer fechar o Orkut depois que o brinquedo virou Brasil. Submarino e Americanas vão ser uma coisa só. Tirei o chapéu para a seleção masculina de vôlei. O piercing da Karina Bacchi (e seu namoro com o baixinho da Kaiser), além de todas as outras famosas sem calcinha, fizeram muito barulho por nada. Não vi o Inter campeão mundial em Porto Alegre por causa do apagão aéreo (também por causa do Barcelona, admito). Na última semana do ano, o Rio viveu o caos - mas tudo bem, nossos parlamentares, depois de absolverem metade dos mensaleiros e tentarem aumentar seus salários em 91%, vão dar uma forcinha pra gente. Ganhei um trem elétrico do Papai Noel. Braguinha, Sivuca e James Brown foram embora. Ainda estou devendo um almoço em Bertioga para três amigos, e um jantar num restaurante alemão para o Narazaki. E para dar um fim digno a um ano bem chinfrim, enforcaram-no junto com o Saddam.

Desde 2002, quando o Guaraná Kuat lançou essa latinha comemorativa, costumo dizer que o ano “promeeeeete”. Pra não ficar como o gosto ruim de 2006, tudo que tenho a dizer sobre 2007 é: anos ímpares costumam ser melhores.

Juízo no seu reveilão, e até ano que vem.

Marmota colocou este post no ar às 12h49

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