Saturday, 17 de February de 2007

A Agonia de Certas Piadas

Existem duas datas que serão lembradas com muito carinho (e pelo resto da vida) pela torcida do Inter. A mais recente delas foi o dia 17 de dezembro. A outra foi o dia 16 de agosto. Até o fim daquela noite, o Clube do Povo era internacional apenas no nome. E nem uma vitória em pleno Morumbi, no jogo de ida, fez com que o grito de campeão saísse fora de hora. A expectativa do mais influente colorado da blogosfera, Milton Ribeiro, reflete as horas que antecederam o primeiro dos dois dias em que uma nação inteira se vestiu de vermelho.

Utilizando uma bela expressão do mestre Guimarães Rosa - que a Meg usou num comentário feito a este blog -, diria que quem torce para o Internacional conhece bem “a alegria e suas margens”. Mas, falemos sério, nenhum colorado consciente pensa que já ganhamos a Libertadores. Acho este cuidado uma profilaxia inteligente. Time e torcida têm que chegar hoje, no Beira-rio, mobilizados para não deixar a Libertadores escapar. Não adianta chegar lá como se fosse para cumprir uma formalidade.

Jogo de quarta-feira passada acabado, recebo uma ligação de uma amiga. Eram 23h50. Por que estaria ela, uma gremista, ligando naquele momento tão completamente colorado? Apertei o TALK, disse “alô” e ouvi sua voz:

- E daí, quase na praia?

Achei a piada até inteligente (porém, quando a contei a meu sobrinho Filipe, ele disse que a mandaria tomar no cu na hora) e reagi de acordo com o cuidado que nossa diretoria tem demonstrado:

- Sim, quase na praia. Mas provavelmente vivos e sendo recebidos por um harém de ninfomaníacas gremistas a cantar “Até em pé nós daremos”.
- (Risadas)

Estou gostando da nossa falta de bravatas. Hoje, comeremos o jogo com os olhos, torceremos como loucos, mas só explodiremos mesmo de alegria à meia-noite. Os poucos jornalistas que declararam o Inter como Campeão da América de 2006 são gremistas. Demonstrando desconhecimento da alma colorada, pensam que podem nos inocular um “salto alto” totalmente estranho a nós, cujas repetidas tragédias tornaram-nos realistas.

Enquanto isso, finjo perfeita tranqüilidade. Não tripudio sobre ninguém, mas fico imaginando em silêncio como será O Dia Seguinte, quando, além do significado da Libertadores, estaremos inscritos para o Japão e teremos um adversário local em crise e sem condições de montar um time decente. Se formos campeões, haverá grandes mudanças na relação que temos com eles. Eles não cantarão mais aquele “Grêmio, Grêmio; nós somos campeões da América” e aquela piada de chamar nosso time de Municipal, Regional ou Nacional acabará. Será ainda mais divertida a nossa vida futebolística em Porto Alegre. Mas, por enquanto, fazemos de conta que estamos frios, controlados e, mesmo que quase todos nós estejamos otimistas, não ouço o letal “já ganhamos”. Que bom.

Todo o cuidado com o São Paulo e, apesar de saber que os jogos em Yokohama estão marcados para 13 (America do Mexico) e 17 de dezembro (final), devemos aparentar ignorância e humildade. Bom, ao menos eu faço assim.

Atualização das 12h52. Acabo de receber este e-mail tergiversador e sacana de um amigo gremista. O assunto da mensagem é “Aflição”.

“Amigos colorados
Hoje é um dia triste para a nação colorada. Em Brasília está morrendo o maior dos colorados, Alfredo Stroessner. Lamento não poder acompanhar vocês no pesar por razões óbvias.
A.”

Eles estão perturbados. Muito. A ponto de confundirem a corja dos Partidos Colorados da América do Sul com nosso seráfico clube.

Contagem regressiva: faltam 5 dias para a “grande mudança”


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  1. Gosto muito de futebol. Torço para o Botafogo. Espero que teu time tenha se dado bem. Mais uma coisinha; não é aquilo. Você é um excelente escritor. Faz pouco tempo que acompanho teu blog; sou egocêntrica mas reparo. Os dois posts estão um primor.

    Comentado por tina oiticica harris — Monday, 19 de February de 2007 às 2h56

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