Tuesday, 20 de February de 2007
Miojo coreano
Não se engane: se você tiver uma idéia que julgar inédita, procure-a antes no Google. Se ninguém tiver desenvolvido o assunto ainda, corra. Afinal, tem gente demais por aí absorvendo as mesmas referências culturais e disposta a escrever uma opinião bem parecida (pra não dizer “a mesma”). Pois essa foi a primeira providência do Tuca Hernandes ao desenvolver a teoria abaixo.
Autocensura por suposta falta de originalidade. Se você tem o costume de escrever, é bem provável que isso já tenha lhe ocorrido. Você deixa de publicar ou desenvolver algo pela certeza daquilo não ser lá tão original assim, apesar de não conhecer fontes que venham a comprovar a sua suspeita. A idéia pode ser ótima, mas temos certeza que muitos já pensaram exatamente naquilo. Se bobear, o assunto rendeu até comunidades no Orkut. No entanto, para sabermos se aquela idéia ou termo é realmente original, recorremos à esfinge dos novos tempos: o Google. E foi o que eu acabei fazendo. Pra ver se alguém havia desenvolvido a bobagem que eu tinha em mente, digitei “coréia miojo sabor cachorro”. Ninguém. Portanto, segundo padrões googleanos, a idéia desse texto é inédita. Sei não… Ok, vamos lá.
Mas ainda estranho que ninguém, em alguns dos milhões de textos inúteis largados na internet, tenha especulado sobre como seriam os sabores do miojo na Coréia. Pra horror das associações de defesa aos animais fofinhos e desamparados, é sabido que muitos coreanos reservam aos cachorros o mesmo carinho com o qual tratamos uma boa picanha por aqui. Nós, na suposta normalidade da cultura ocidental, ao termos ciência disso, tendemos a ficar tão horrorizados quanto um indiano qualquer num rodízio de carnes. Descontando preconceitos do lado de cá, não seria estranho vermos nas prateleiras dos mercados coreanos uma série de miojos no sabor “cachorro”.
Assim como temos aqui os sabores carne nas variações “carne”, “picanha” e “churrasco”, a “linha cachorro” teria inúmeras opções conforme a raça de preferência do consumidor. Dessa forma, as crianças teriam o sabor “Poodle Toy” para matar a fome. Pro público marombado, que não sai da academia, porque não um miojinho sabor “Pittbull”? O coreano refém de regime não ficaria de fora dessa, tendo a sua disposição uma versão light, devidamente representada por um gostinho de “Pequinês”. Na embalagem de todos, talvez os publicitários não resistiriam, colocando mensagens “geniais” do tipo “Miojo Pet - O melhor amigo do seu estômago!”
Sim, pra muitos tudo isso pode soar tão engraçado quanto uma piadinha suja sobre a senhora sua mãe. Sim, eu sei. Muitos que adoram cachorros, jamais vivendo sem um ao lado, dificilmente sorriem pra esse tipo de especulação. Alguns, sentem-se tão indignados quanto um muçulmano radical vendo uma charge sobre Maomé. “Que mau gosto… Com isso não se brinca, rapaz! Tá doido?” Sensibilidades à parte, de qualquer forma, se eu fosse passar uns tempos na Coréia, eu jamais experimentaria um miojo da linha cachorro. Por razões sentimentais da alma tipicamente ocidental. Preferiria qualquer outra iguaria que dizem existir no Oriente. Sei lá, quem sabe um miojo sabor gafanhoto…
Contagem regressiva: faltam 2 dias para a “grande mudança”
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Em ritmo de carnaval, do samba do crioulo doido,o post contem duas verdades. Gafanhoto com mel deve ser bom; afinal, o João Batista batizou Jesus e virou santo.
A outra é a irrelevância de quem foi o primeiro, vide a pendenga anos a fio da Apple Corps dos Beatles e Apple, Inc. do Steve Jobs. Steve Jobs chegou depois; foi espertinho, selou a paz. Dizem que em maio 2007 iTunes terá os Beatles em seu catálogo. Será?
Comentado por tina oiticica harris — Tuesday, 20 de February de 2007 às 23h22